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Cartografias Imaginárias



Amigos, 


abaixo, estou postando a Apresentação de meu livro Cartografias Imaginárias para que vocês tenham uma ideia geral dele e a sua resenha, feita pela revista História da Historiografia.



 

Apresentação


Quando ingressei no Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS) da UFRN, no segundo semestre de 2007, procurei direcionar minha participação visando acompanhar a demanda de ingresso no Programa que então se concentrava mais na aproximação entre literatura, espaço e História. Pensando nisto, inaugurei um projeto de pesquisa que buscava examinar as representações, estratégias e apropriações espaciais e temporais por meio da produção literária, focando a colaboração entre dois autores norte-americanos do início do século XX, H. P. Lovecraft e Robert E. Howard.

Contudo, minha inserção enquanto docente exigia também a colaboração no debate de ideias e, como a reflexão acerca da identidade regional era o ponto forte da produção do Programa, tinha que, de algum modo, direcionar meu trabalho nesse sentido. Teria sido mais fácil, ou mais coerente, investigar a produção literária local, mas entendi que poderia enriquecer mais o debate se adicionasse a este alguns resultados de meu trabalho anterior, sobre a construção do espaço nacional. Para me colocar melhor e com mais rapidez em meio ao debate, procurei, assim, aplicar sobre a minha pesquisa anterior os resultados recém-colhidos no novo projeto.

Este é o sentido primeiro deste livro: explicitar minhas possibilidades de colaboração no debate de ideias do Programa por meio da clarificação dos resultados de minhas pesquisas que se correlacionam diretamente com a linha de concentração do Programa e com suas demandas. Os quatro primeiros textos deste livro foram elaborados a partir dessa premissa, mas cabe explicar algumas intenções de sua escrita.

Enformando a Nação é um texto novo e que resume a premissa inicial de minha tese de doutoramento, a saber, de que a produção de uma história do espaço nacional precedeu a construção de uma história da nação no IHGB. Procuro também demonstrar que espaço e tempo pertenciam então às mesmas condições de possibilidades tanto da história quanto da geografia: a constituição do IHGB exemplifica de modo admirável as incertezas e possibilidades percorridas pelo concurso de racionalidades ainda indecisas ante a separação ou a convergência.

A produção do espaço no Terceiro Conselho de Estado é a reescrita de um texto antigo, útil neste livro porque dialoga com Enformando a Nação na direção de mostrar meu interesse na discussão do espaço a partir dos seus lugares de produção e de mostrar que nesses loci a dinâmica de produção está sempre em permanente reelaboração e, deste modo, deve ser investigada a partir de métodos também flexíveis.

Em Impertinentes, desinteressados ou sem escolha aplico diretamente os resultados da pesquisa sobre H. P. Lovecraft de modo a poder explicitar epistemologicamente o processo pelo qual a operação historiográfica realizada no IHGB produziu uma narrativa do espaço no século XVIII. É um texto que dialoga e deve interessar aqueles trabalham com o espaço colonial.

O espelho do Jacobina é um texto novo em que retorno com a preocupação epistemológica, desta vez a partir de um escrito de Machado de Assis, para investigar a produção de dois mapas, a ‘Carta Niemeyer’ e o ‘Mapa do Rio Grande’. Junto teoria e metodologia por meio do que chamo de ‘estudo cartográfico’ (explicitado no texto Enformando a Nação) para examinar as possibilidades da construção do espaço através de um medium específico. Trabalho aqui com preocupações envolvidas, grosso modo, no conceito derridariano de ‘escritura’ (Derrida, 2004).

Os quatro últimos textos deste livro servem para explicitar minha posição no debate de ideias do Programa a partir de duas preocupações: a primeira é conciliar as contribuições de Jacques Derrida com as de Michel Foucault por entender que elas não são excludentes, embora, obviamente, sejam divergentes em muitos aspectos. Minha segunda preocupação é a de articular esse constructo com uma teoria dos interesses acerca da produção do espaço e da identidade que considere tanto o problema do sujeito como o da ideologia, onde Karl Marx possa ser escutado a partir da permanente possibilidade de sua reinterpretação, ou, conforme Derrida (1994), de sua (re)aparição.

O mapa antes do território é um texto antigo, mas que já atendia às preocupações que procuro colocar no debate de ideias do Programa. No caso, as ideias de ‘luta de representações’ e de ‘construção concorrencial do espaço’, esta última desdobrada pelas escalas do regional, nacional e internacional, são constituídas no jogo do conceito de representação, entre ‘falar por’ e ‘apresentar novamente’, possível na língua em que Schopenhauer e Marx pensaram.

Os dromedários e as borboletas é um texto novo em que busco as raízes de compreensão da dizibilidade do Nordeste por meio do exame da produção do saber sobre o espaço no IHGB. Volto aqui à ideia, discutida já no texto Enformando a Nação, de que a construção da subalternidade no Brasil foi uma tarefa contínua, que resultou do acordo entre as várias partes que compuseram o acerto em torno da Nação.

Por uma análise crítica das políticas de espaço é um texto novo em que examino dois trabalhos de Foucault buscando entendê-los a partir de seu contexto de produção, visando com isso constituir a possibilidade de aproximação com Derrida, de modo a procurar a articulação de uma ideia, o ‘Geopoder’, com as possibilidades de investigação da ação do Estado e de seus agentes sobre o espaço. Também busco investir numa aproximação com Wittgenstein, para aventar novas possibilidades gramatológicas. Trabalho neste texto novamente a ideia de subalternidade, desta vez no exame de outro locus de produção do espaço, a Marinha do Brasil.

Finalmente, Espaços Imaginários é um texto que foi publicado originalmente sem ilustrações e sem correções, problemas que alteram muito a sua compreensão. Esta é a versão completa e corrigida. Em Espaços imaginários procuro discorrer sobre as implicações do problema do sujeito em Foucault a partir do exame das referências a Antonin Artaud em sua obra, visando trabalhar certas questões como espaço, lugar e local, valendo-me, mais uma vez, do ‘estudo cartográfico’.

Renato Amado Peixoto.
Capim Macio, fevereiro de 2009.

2 comentários:

Gustavo Leitão disse...

Prezado, como posso obter um fascículo desta obra?

http://lattes.cnpq.br/4329353374197075 disse...

Na livraria da UFRN, que fica no Centro Comunitário da UFRN.